Solitária
O vídeo "Solitária" faz parte do processo de produção textual que gerou o manuscrito da história "Os três Todinhos e a Dona Sabor". Ele mostra o momento em que Isabel e Nara estão linearizando como a mãe se sentia ao saber que seus filhos ficaram mudos, não falavam nada. O recorte evidencia múltiplos níveis de rasura oral: Isabel revisa suas próprias formulações ("De repente... Não.") e reformula a frase à medida que avança na narrativa, enquanto Nara intervém ao identificar um termo lexical ("Solitária?"), abrindo espaço para um comentário semântico ("'Solitária' quer dizer 'sozinha'. Então, não tem nada a ver."). Esse movimento intersubjetivo e coenunciativo demonstra não apenas a negociação do sentido de termos, mas o modo como a aluna Isabel recupera de seu léxico mental o sentido da palavra "solitária" e estabelecendo relações de coerência ("não tem nada a ver") com o conteúdo narrativo e metatextual da narrativa ficcional que está sendo inventada.
A relevância do registro reside na visualização do pensamento em ação. O diálogo entre as participantes permite o acesso ao modo de raciocínio subjacente à escolha lexical e à estruturação da narrativa. As hesitações, correções e explicações formam um material autêntico sobre como se dá a apropriação de conceitos semântico-lexicais no contexto da produção textual escolar.
Este vídeo constitui, assim, um exemplo robusto para o estudo da metacognição em linguagem e da importância do ambiente dialógico para o desenvolvimento da autonomia linguística e da construção compartilhada de conhecimento durante a alfabetização.